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Com vista para a Serra da Arada, num vale com 22hectares, fica a aldeia de Cabrum, lugar onde se situa a comunidade Amakura. Vivem em caravanas ou em casas restauradas com as próprias mãos, plantam grande parte do que comem, dependem pouco do exterior. Não são totalmente autossustentáveis nem o querem ser, mas a sua ligação e dependência da natureza é inegável. Mais, estarem dependentes do tempo, das condições do local e do ambiente que os rodeia foi uma escolha consciente.

Foi há 10 anos que Vasco e Manuela souberam que Cabrum era uma aldeia abandonada, depois do último habitante ter emigrado. "Pela energia daquele lugar", decidiram que seria o sítio perfeito para recomeçarem as suas vidas em comunidade. Remodelaram a aldeia, criaram um sistema de canalização, limparam a floresta e começaram negócios ligados à natureza e ao turismo rural. Neste momento, vivem 12 pessoas na comunidade, mas o número será sempre mutável. Tirando alguns conflitos de interesses, a comunidade mantém uma boa relação com os restantes locais.

Interessava-me saber o motivo que levou cada pessoa a escolher aquele estilo de vida — se umas o fizeram pelo desafio e como superação pessoal, outros fizeram-no por saturação da cidade, do"sistema", e porque precisavam de isolar-se. Há também casais que escolheram ir para a comunidade para criar os filhos em comunhão com a natureza, como no caso do Pedro, da Lorena e da Yêre, a mais recente habitante de Cabrum, com 5 meses. Antes da comunidade, não havia registos de nascimento sem Cabrum desde 1984. Ao dinamizar esta aldeia que lhes serve agora de casa, cada pessoa desta comunidade vive com a missão de realizar os seus sonhos, que combinam num sonho comum.

 

NOTA BIOGRÁFICA

Nasci em Vila Nova de Gaia, em 1996, mas é no Porto onde passo grande parte da minha vida. Licenciei-me em Cinema e Audiovisual na Escola Superior Artística doPorto e em Fotografia no Instituto Português de Fotografia.  Através das viagens e com grande foco no documental, os meus projetos são explorações e interpretações do exterior que me rodeia. A fotografia serve-me como forma de expressão e conexão com o mundo na procura de metáforas. Aproxima- me profundamente de quem e do que fotografo.